4 de maio de 2012

Dia Internacional da Parteira - 5 de Maio


Amanhã, dia 5 de maio é Dia Internacional da Parteira. Este é um ofício que encanta e intriga. Há um grande mistério em torno da figura da parteira.
Com o “avanço da Medicina”, a mulher parteira, a mulher parturiente e o conhecimento popular foram descentralizados, substituídos pela figura do profissional imbuído de um conhecimento técnico e tecnológico – o médico. Hoje em dia, sem conhecimento de causa, grande parte da população acredita que ganhar um filho com ajuda de uma parteira é coisa “do passado”, “coisa atrasada”.
Este senso comum – de que médico e hospital são as únicas garantias de segurança e bem-estar no parto – vem sendo confrontado justamente por pesquisas científicas e por orientações da Organização Mundial da Saúde, que incentiva a formação e atuação de parteiras para diminuir a mortalidade neo-materna em todo o mundo.
A recomendação da OMS é de que pelo menos 85% dos nascimentos seja por parto normal. No Brasil, esses índices estão invertidos: na rede privada mais de 80% dos nascimentos são por cirurgia cesárea. Estima-se que apenas 48% de todas as crianças brasileiras nascidas em 2011 veio ao mundo através de um parto normal.
Uma explicação para o alto índice de cesáreas é justamente a assistência médico-hospitalar voltada para a tecnologia e não para a fisiologia da mulher.
Na maioria dos partos hospitalares no Brasil se faz corte vaginal (episiotomia), se aplica ocitocina (hormônio que acelera o trabalho de parto, aumentando as contrações e a dor), se faz manobra de Kristeller (empurrar a barriga para baixo), se obriga a mulher a ficar deitada e sem comer ou beber água por muitas horas. Essas rotinas geram dor e constrangimento à mulher. Quem vai querer um parto normal assim?
Há décadas atrás, não existia OMS e as parteiras tradicionais não conheciam os dados estatísticos sobre partos. Mas já sabiam que mulher não pode ficar com fome na hora do nascimento do seu filho ou filha. Sabiam que a mulher pode e deve se mexer o quanto quiser, para ajudar o bebê a nascer. Sabiam que de cócoras o neném nasce mais rápido e que não se empurra a barriga de mulher grávida. Sabiam fazer massagem no períneo e usar panos para evitar rasgos na pele da vagina. Sabiam quais chás oferecer para acalmar, para ajudar a produção de hormônios do parto. Também conheciam óleos e técnicas naturais de estímulo para acelerar o processo de parto.
Todo esse conhecimento se perdeu? Não! Ele vem sendo mantido por algumas mulheres que ainda são valorizadas por seu trabalho em comunidades tradicionais. E não só lá, nos grandes centros também há uma “volta às raízes”, uma busca por conhecer e pesquisar o trabalho das parteiras.
Os cursos de formação de obstetrizes são um exemplo dessa busca por formar profissionais com capacitação científica valorizando os conhecimentos práticos das parteiras. Apesar de a classe médica se posicionar contra a autonomia das obstetrizes, há um forte movimento das mulheres na Sociedade Civil para que essa profissão seja respeitada e valorizada, assim como o papel das doulas.
Hoje, Dia Internacional das Parteiras, a Parto do Princípio – mulheres em rede pela maternidade ativa – manifesta seu apoio aos cursos de formação de Obstetrizes, enfermeiras obstétricas, e os cursos de formação de doulas. Também apoia a valorização das Parteiras Tradicionais e de seu ofício, cujo Registro como Patrimônio Cultural Brasileiro foi solicitado ao Iphan em 2011. Parabenizamos todas as mulheres que se mantém nessa profissão que, mais do que um modo de ganhar o sustento, uma
identidade, uma missão e um dom.
Sigamos fortes e unidas na luta por uma assistência obstétrica humanizada, que respeite a mulher como protagonista do seu parto.

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