5 de janeiro de 2012

O dia depois do parir...

Demora! Demorou bastante para a mulher se sentir plena novamente depois do parto. O parto é um ápice dilacerante que nos parte, nos reparte, dos divide e, no paradoxo da vida, nos une ao que somos e ao ser que colocamos no mundo.
Embora a sensação inebriante de conquista e felicidade esteja permanentemente guardada dentro da mulher que teve uma boa experiência do parto, o dia depois do parir traz mudanças muito pontuais na vida. Somos impelidas a estarmos magras, lindas, sorridentes, disponível, cuidando de tudo, como sempre fomos. Mas não! Não é assim... Não é para ser assim. A natureza planejou diferente!
Criou um bebê prematuro e um esquema de amamentação continuada que vincula fortemente a mãe a sua cria e à necessidade de parar, de frear, de largar tudo e virar bicho, de novo.
Depois de parir ainda estamos em simbiose com um ser totalmente novo. Os três primeiros meses são recheados de vivências. É o quarto trimestre, a ‘extragestação’.
Esse estereótipo está tão bem sedimentado na sociedade que é um elogio alguém chegar para uma puérpera e soltar: “nossa, nem parece que teve um neném!”. Será mesmo? Estão todos tão preocupados com o externo, com a casca, com as aparências que a ninguém passa a idéia de perguntar: “Está tudo bem contigo? Como está sendo a experiência de ser mãe? Você tem contado com a ajuda de alguém? Está insegura com alguma coisa?”. Não! Se a mulher já estiver magra, é o suficiente para acreditarem que tudo está bem, afinal, ela ‘voltou o corpo’, está sexy e desejável novamente.
Mulheres! Não atendam à demanda patriarcal de sair do pós-parto e virar mulher-maravilha! Mergulhem dentro de si, sem medos. Façam-se as perguntas devidas, mesmo as mais difíceis. Adocem a voz, a pele, o olhar e ninem seu bebê. Ninem a si mesmas sabendo dizer 'não' e respeitando-se.
Deixem que a louça espere, o jardim siga sozinho, o corpo se adapte, o sono venha em qualquer horário, a fome seja desregulada, o sexo vire namoro, enfim... deixe o mundo correr no ritmo dele e você, imprima o seu próprio ritmo!
A barriga nos protege. É como um escudo mágico e com ela vivemos em outra dimensão. Levamos meses para nos acostumar com a idéia da gravidez, mas com o parto é diferente. Em um instante somos uma, piscamos os olhos, e lá estão dois seres. Não há etapa, não temos tempo para ir assimilando a idéia... não! Só há a ‘rasguidão’ do parto.
E depois, desprotegidas e vulneráveis, cai em nossas mãos aquele bebê mágico, tão lindo quanto completamente estranho. Tão íntimo por sair de nosso claustro, mas tão completamente individual e único. É, ele está aqui! E a mãe? Onde está? Está no puerpério! Nome estranho para uma época igualmente estranha. No limbro feminino entre ser mulher e ser mãe. Ainda não somos nós, mas não somos mais grávidas. Está tudo em carne-viva, como me diria uma amiga! Podemos ter quantos filhos for, mas sempre um novo parto nos levará para um novo 'xeque-mate' de vida! Não mais a grávida e seu escudo protetor, nem ainda a mulher de sempre. Uma mãe. Somente e totalmente.
Viverei assim? Poderei gerar? Poderei parir? Conseguirei cuidar dos filhos? Darei conta do meu trabalho ou das minhas vocações? Será que ainda quero isso? Ou será que ainda quero aquilo? Que bicho doido que vira uma mulher no pós-parto...
O dia depois do parir é assim! Voltam a nós todas as nossas profundas questões. O que se é exatamente? Ninguém sabe, nem mesmo a mulher-mãe. Ela é apenas uma fêmea, depois de parir...
CARINY BALEEIRO TADIOTTO CIELO
http://mamaeananda.blogspot.com/

1 comentários:

Amor Mãe Moda Gestante disse...

Parabéns pelo Post!!! Excelente Matéria!!!! www.amormae.com.br