17 de dezembro de 2011

Isso é vínculo


Quando o bebê é recém-nascido, as dúvidas tomam conta de qualquer mãe. Mas tem aquelas mais calmas, mais tranquilas. Adivinhem qual bebê chora mais? O da mãe zen ou o da preocupada? Bem, eu fui daquelas mais preocupadas. E meu bebê chorou muito. Porque teve cólicas horríveis. Refluxo. Dificuldade para dormir. E eu, nada calma, passava toda minha insegurança para ele, claro.
Não digo que errei. Eu bem que tentava passar toda a tranquilidade do mundo ao pequeno chorão e, muitas vezes, conseguia. Só tinha certa dificuldade em ocntrolar a ansiedade de vê-lo bem, sem dor ou qualquer incômodo. Imagina o que é só ver seu filho quietinho quando está mamando? Imagine um recém-nascido que não dorme, nem de dia, nem de noite? Que chora, grita, sente muita dor e que nada, nada o conforta a não ser o peito. Imagine o que é levá-lo a sete pediatras e todos dizerem a mesma coisa: é cólica e não tem muito o que se fazer. Repetiam as receitas, outras mães me ensinavam mandingas, eu seguia dieta rigorosa. E nada. Acho que qualquer mãe perderia a calma. E, lembrando de tudo, vejo que tive calma até demais!
O que quero dizer é que, por mais apavorante que seja qualquer coisa que aconteça com novas mamães e seus filhos pequenos, o melhor é manter a tranquilidade. Segurança a gente passa para eles. Eu sei que nos momentos em que eu estive mais confiante, mesmo diante de um dia cheio de choro e dor, meu filho esteve melhor. Houve noite em que tirei a blusa, o coloquei coladinho a meu corpo e o deixei chorar... Ele dormiu. Houve dias em que eu, cansada de não saber o que fazer, o deitava na minha cama e ficava o observando chorar. Descobria o que fazer.
Hoje, com ele crescido, passo por situação que me lembra tudo que passei. Porque ele já não usa fraldas desde 2 anos e hoje, nove meses depois, insiste em pedir para colocá-la quando suas necessidades são, digamos, mais sólidas. E eu já fiz de tudo. E percebo que minha tranquilidade é o que lhe passa segurança. Para ele talvez seja um desafio. Para mim, mais uma prova de que a mãe tem mesmo que respirar fundo. A nossa expectativa gera expectativa neles. Ansiedade. Insegurança. Frustração. Ou tranquilidade, segurança, satisfação. Pensem nisso quando houver dificuldades por aí.
Beatriz Zogaib, jornalista, mãe de Léo, 2 anos e meio, e apaixonada pela maternidade. Você me encontra também em www.maedacabecaaospes.com.br

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