A dengue é um dos principais
problemas de saúde pública no mundo. A Organização Mundial da Saúde (OMS)
estima que entre 50 milhões e 100 milhões de pessoas se infectem anualmente, em
mais de 100 países, de todos os continentes, exceto a Europa. Cerca de 550 mil
doentes necessitam de hospitalização e 20 mil morrem em consequência da dengue.
No Brasil, as condições
socioambientais favoráveis à expansão do Aedes aegypti possibilitaram o avanço
da doença desde sua reintrodução, em 1976. Em 2007, foram notificados 481.316
casos de dengue clássica, 1.076 casos de dengue hemorrágica e 121 óbitos, dados
da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde. Em 2008, a
epidemia explodiu e os casos pipocaram deixando as autoridades de saúde em
estado de alerta.
Moro no Rio de Janeiro, fui
infectada pela dengue hemorrágica e pude ver bem de perto o perigo da gravidade
que a doença representa e além do mais a precariedade do serviço público
brasileiro oferecido.
É notório que os profissionais da
rede pública são mais bem preparados para atender esse tipo de emergência do
que os plantonistas do serviço privado. Atribuo essa afirmação por conta de
toda demanda que o hospital público traz consigo e pelo treinamento despendido
pela prefeitura com a elaboração de polos de atendimento específico.
Porém o material, o alojamento,
espaço físico, enfim as condições de trabalho dos profissionais da área da
saúde não dão condições de atendimento digno a quem busca!
Existe pouca informação publicada
a respeito dos riscos da dengue para mulheres grávidas. Apesar de muitas
epidemias, nenhuma má formação congênita foi verificada depois de surtos da
doença. Alguns casos reportados recentemente sugerem que, se a mãe estiver
infectada com o vírus da dengue perto do nascimento, a criança poderá nascer
infectada também ou adquirir a doença no momento do parto.
Em entrevista concedida durante
minha permanência no Posto de Saúde do Recreio dos Bandeirantes a Médica e
Infectologista Dra. Bruna Roberta Galvão do Rio de Janeiro esclarece algumas
dúvidas sobre a dengue e suas consequências durante a gravidez.
O que é dengue?
Dengue é uma doença aguda, de início abrupto, causada por um vírus da
família flaviviridae. Existem pelo menos 68 vírus desta família, sendo que 29
deles podem causar doenças no homem. Entre estes vírus estão o da dengue e o
causador da febre amarela. Existem 4 sorotipos do vírus da dengue (DEN 1, DEN
2, DEN 3 e DEN4).
Como a dengue é transmitida?
O vírus da dengue é transmitido por um vetor, um inseto chamado Aedes
aegypti. Este mosquito é um tipo de pernilongo com características diferentes
do pernilongo comum (Culex). O Aedes tem hábitos diurnos, não consegue voar
mais que 200 metros de distância e vive por volta de 45 dias. Neste período de
vida pode picar até 300 pessoas. Os ovos do Aedes são muito resistentes e podem
persistir no ambiente seco até 400 dias. Se estes ovos tiverem contato com água
limpa, poderão se transformar em larvas e em novos mosquitos. Daí a enorme
importância de se eliminar os criadouros (água limpa parada). Já o pernilongo
comum tem hábitos noturnos e consegue procriar em água suja e poluída. É
importante esclarecer que o Aedes só consegue transmitir o vírus da dengue se
ele próprio estiver infectado. Ele se torna infectado se picar uma pessoa
infectada com o vírus. Entre a picada e o Aedes estar apto a transmitir o vírus
decorrem de 7 a 10 dias.
A dengue tem um período de incubação (entre a picada do Aedes e a
pessoa adoecer) de 3 a 14 dias, mas geralmente de 4 a 7 dias os sintomas já
aparecem. A dengue pode se apresentar de 3 formas diferentes: dengue clássica,
dengue hemorrágica e síndrome do choque da dengue. A forma clássica provoca
febre alta, dor de cabeça, dor atrás dos olhos, vermelhidão dos olhos, dor
muscular, enjôo, podendo também ter “rash cutâneo”, como se fosse uma reação alérgica
na pele. A grande preocupação é quando ocorre a dengue hemorrágica, que pode
levar a morte. Além dos sintomas já citados, quando a doença está evoluindo
para a versão hemorrágica aparecem ainda: sangramento pelo nariz, boca e
gengivas, vômitos persistentes, dificuldade respiratória, pulso rápido e fraco,
pele pálida, fria e úmida, sonolência, agitação e perda da consciência. A
grande maioria dos casos de dengue hemorrágica ocorre nas crianças e pacientes
menores de 15 anos de idade.
Como é feito o tratamento da
dengue?
Não existe medicamento contra o vírus da dengue. O que fazemos é manter
o paciente bem hidratado, em repouso e prescrevemos medicações para diminuir os
sintomas da doença.
Quais os riscos de se contrair
dengue durante a gravidez?
Os riscos são os mesmos de uma pessoa não-gestante. O Aedes não tem
nenhuma “atração” especial pelas grávidas. O problema é que, se uma gestante
contrair a dengue, isso poderá implicar em algumas complicações indesejáveis na
gestação como entrar em trabalho de parto prematuro, problemas de hemorragia no
parto e até óbito fetal. Felizmente não parece existir má formação do feto nas
pacientes que adquiriram dengue no início da gestação, apesar de haver estudos
que indiquem um risco maior de aborto. As complicações aparecem mais no final
de gestação.
O tratamento da doença é o mesmo
para as gestantes?
Sim. Valem os mesmos cuidados: hidratação intensa, muito repouso e o
uso de medicamentos para aliviar os sintomas. É importante lembrar que as
gestantes não devem tomar nenhum remédio que não tenha sido prescrito pelo seu
médico.
Como a gestante pode se proteger
contra a dengue?
Evitando viajar para áreas onde estejam ocorrendo casos ou epidemia de
dengue, usando calça comprida, meia e repelentes, não usando perfume (o
mosquito é atraído por perfumes) e principalmente eliminando os possíveis
criadouros do mosquito próximos à sua casa, local de trabalho etc. Nunca é
demais lembrar: não deixe água parada em garrafas, pneus e bacias; limpe os
pratos das plantas com escova e sabão e coloque areia; tampe caixas d´água,
vasos sanitários, poços e latas de lixo; lave bebedouros de animais com escova
e bucha e troque a água mais vezes na semana.
Se a lactante pegar dengue
durante a amamentação há riscos para o bebê?
Não existe nenhum risco de contrair dengue através da amamentação. O
recém-nascido deverá ser amamentado, pois receberá da mãe anticorpos para sua
proteção.
Gleice Marcondes Ferreira
Doula, Educadora Perinatal, Terapeuta Corporal e
facilitadora de Biodanza

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