16 de novembro de 2011

Vida Intrauterina e os Primeiros Cuidados com os Bebês

Hoje, sabemos que um ser humano em formação, reage a estímulos, chupa o dedo, dorme e acorda, tem movimentos respiratórios, movimenta-se à procura de posições que sejam mais confortáveis, boceja, soluça, sorri, chora...

Por sua vez, a idéia de útero também se modificou, pois o feto escuta a voz materna e paterna, os sons internos e viscerais da mãe, como a digestão sendo realizada, os batimentos cardíacos, a circulação sanguínea, o ressoar do sono materno, a sonoridade do mundo externo que lhe chega abafada, porém audível.

As necessidades de contato são provavelmente satisfeitas por completo durante a vida intrauterina, e uma transição natural para o período pós-natal passa a ser compulsório para que o desenvolvimento se complete saudável.

As maciças contrações do útero contra o corpo do feto desempenham um papel importante no preparo da pele para sua interação com mundo exterior.

A interação rítmica entre mãe e bebê estende-se com a amamentação, onde nesse momento o elo de segurança e proteção é substituído pelo peito na ruptura do cordão umbilical!

Dr. Merloo Ponty, médico na linha fenomenológica, afirma em sua tese que crianças privadas da amamentação, podem fazer que os ritmos reprimidos, venham à tona em circunstancias inadequadas.

Muitas técnicas terapêuticas de raízes biológicas usam a dança como meio de retornar aos humores frustrados e desesperados acumulados desde a infância.

Na dança se revelam as primeiras passagens da existência de uma pessoa. As experiências pelas quais os bebês passam em contato com o corpo de sua mãe constituem seu meio primário e fundamental de comunicação, sua primeira linguagem, primeira forma de entrar em contato com outro ser humano, afirma Dr Michel Odent no livro A Gênese do Homem Ecológico.

Isso demanda que o bebe seja carregado no colo com segurança, que o amamente em livre demanda nos primeiros meses e depois com intervalos regulares. Que seja embalado, acariciado, que lhe falem, que o tranquilizem.

Portanto é de fundamental importância que este novo Ser, seja recebido por mãos atentas, vivas, que sigam e observem seu menor estremecimento. Mãos leves, repletas de ternura e de silêncio. Que “estão” simplesmente ali!

E não por mãos distraídas, que rejeitam, rudes, hostis, com medo, mãos que isolam, que faz se fechar para o amor, para a vida!

Antes de o bebê começar a falar, ele vive num mundo de toques, sabores, gostos, sua interação com o ambiente é profunda, atenta, espontânea. Está sempre no “aqui e agora”.

Contudo, podemos concluir que a humanização começa com o amor, com o respeito, com o reconhecimento e com o toque humano!

Gleice Marcondes

Doula, educadora perinatal, terapeuta corporal, facilitadora de Biodanza (Sob Supervisão da Escola de Biodanza Rio-Barra).

www.maedaterra.blogspot.com

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