28 de novembro de 2011

O Mundo precisa de Afeto

Os bebês não vem com manual de instruções. Tentativas de comunicação não verbal entre bebês e cuidadores muitas vezes não tem reciprocidade. Por quê?

Inúmeras revistas e artigos se propõem a discorrer a cerca de como devemos tratar nossos bebês quando choram, ao tomar banho, melhor posição para dormir, quanto tempo devemos amamentar, de quanto em quanto tempo, como fazer arrotar.

O fato é que somos seres singulares e diferentes uns dos outros, ou pelo menos nascemos assim até que nos tornamos uma massa de gente igual e enquadrada nos padrões exigidos pela sociedade.

Assim reprimimos nossos instintos básicos, de fome, de sono, de expressão autêntica, legítima e genuína do que verdadeiramente somos.

A realidade cruel de mundo que fabricamos provém dessa natureza, da perversão dos instintos e do desrespeito pelo humano que existe em nós!

A destruição do planeta, a dificuldade de sentir, de fazer vínculos verdadeiros, nos envolvermos em relações afetivas nutritivas passa pela permissão de assumir nossa essência. Essência negada, reprimida e não aceita quando era de fato o desejo.

A construção da identidade de cada um está sendo baseada no medo e na necessidade pulsante em viver o que deseja, e isso devemos muito aos estímulos dados, ao ambiente que vivemos e ao modelo que tivemos na primeira infância, desde a vida intrauterina até mais ou menos 6 anos de idade.

Cada bebê vai reagir de forma diferente a um estímulo, alguns podem gostar de dormir de bruços, outros podem amar banho, já outros precisam sentir-se mais amados e pertencentes!

O importante é o respeito pela expressão e pelo desejo de cada um em viver como pode, precisa e gostaria!

Se tratarmos de maneira igual todos e a cada choro, desde já estaremos agredindo a expressão autêntica de existir deste pequeno ser e fazendo o convite para ingressar nos padrões conhecidos por nós, aqueles que são familiares e possivelmente aceitos.

Reconhecer o outro como semelhante e não como ameaça, é hoje um dos maiores desafios proposto em sociedade, pois a febril competitividade e o famoso jargão “tempo é dinheiro” estão fazendo com que a desqualificação seja permitida em todos os âmbitos da esfera de cada território.

A violência no parto, a morte banalizada, a descartabilidade do outro, o abandono e as famosas palmadas para “educar” são heranças de modelos fracassados que estamos deixando para o planeta e para nossos filhos.

Para alterar esse quadro é preciso muito amor, afeto e empatia!

Por isso, é de fundamental importância que nos primeiros meses esse bebê esteja envolvido pelo contato materno, pele, cheiro, som, carícias e tudo mais que ele tiver direito, afinal esse é o mundo conhecido pra ele, onde se sente seguro para explorar o desconhecido sabendo que pode voltar a qualquer momento.

Quanto mais houver entrega, doação e disponibilidade afetiva da mãe mais fácil se tornará a comunicação, mais fácil será decifrar seus choros, sua linguagem que num primeiro momento parece indecifrável!

O mundo precisa de afeto!

Gleice Marcondes

Doula, Educadora Perinatal, Terapeuta Corporal e Facilitadora de Biodanza

(Sob Supervisão da Escola de Biodanza Rio-Barra)

http://maedaterra.blogspot.com/

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