26 de outubro de 2011

Tapa na bunda: o que isso ensina?

O universo das mães está em polvorosa com o lançamento de um livro cujo título faz apologia ao tapa na bunda como ferramenta educativa.

A Rede Parto do Princípio, que está comprometida com o conceito de maternidade ativa, se manifesta a favor da educação pelo exemplo e sem agressões.

Isso não quer dizer que todas somos perfeitas e exemplares, felizes e com filhos sempre obedientes e sorridentes! Muitas de nós, mães, apanhamos na infância. E como recebemos esse exemplo de educação, temos dificuldade de fazer diferente com nossos filhos e filhas.

Por isso, precisamos de artigos e livros que nos ensinem a educar sem agredir. A boa notícia é que essas referências já existem.

A Renata Penna (também conhecida como Tatá) escreveu um artigo muito legal nessa semana, leia esse trecho:

O tapa ensina? Sem dúvida que ensina. Mas não ensina nada de bom. Ensina a aceitar a violência e o desrespeito como atitudes positivas. Ensina que o mais forte pode e deve aproveitar-se de sua superioridade física. Ensina a agredir quem é mais frágil, e portanto não pode se defender. Ensina que a violência é um caminho lícito para resolver conflitos.

A Kalu também se manifestou no site das Mamíferas: “Você acha que meu filho nunca me tirou do sério? Ledo engano. Perdi as contas das vezes que corri para segurar o ímpeto de violência que me acometeu. Mas educar é antes de tudo autoeducar-se. Se quero que meu filho encontre outras ferramentas para lidar com as questões desafiadoras, tenho que começar por mim”.

A Gisele Leal escreveu uma carta para a editora do livro em questão. Um dos seus argumentos é o seguinte: “Bater em animais é crueldade. Bater em adultos é agressão. Bater em crianças é educar? Mas é claro… educar dá muito trabalho. Bater, fazer a criança obedecer pelo medo, é muito mais fácil”.

As mulheres da rede ainda fizeram várias indicações de livros para quem quer pensar mais sobre o assunto:

"É possível educar sem palmadas?"

Autora: Luciana Maria Caetano, Editora Paulinas. Sinopse aqui.

Entrevista com a autora: http://revistacrescer.globo.com/Revista/Crescer/0,,EMI249821-15153,00.html

"Educando e Convivendo com Crianças e Adolescentes: limites e disciplina sem agressividade"

Autora: Janet Vvan, Editora Paulus. Sinopse aqui.

"A auto-estima de seu filho"

Autora: Dorothy Corkille Briggs, Editora Martins Editora. Sinopse aqui.


"Comunicação Não - Violenta - Técnicas para Aprimorar Relacionamentos Pessoais e Profission".

Marshall B. Rosenberg, Editora AGORA. Sinopse aqui.

2 comentários:

Patrícia Gomes disse...

Estava conversando com um colega hj mesmo sobre isso. Ele acha, como grande parte das pessoas que conheço, que o "tapa corretivo" é o que faz a diferença entre um canalha e um homem de bem. Eu acho que só propaga violência. O post aqui está perfeito em divulgar quem pensa "diferente"

Flavio Barbosa disse...

Existe um equivoco comum entre tapa na bunda e espancar a criança. Eu já li esse livro "Tapa na Bunda" e ele não faz nenhuma apologia a agressão, muito pelo ao contrário, a autora deixa claro que o "tapa na bunda" é o ultimo recurso, mas que deve ser considerado sim.
Temos que parar de criar tabus e preconceitos, ver o que funciona para o nosso filhos, entendê-los, escutá-los; mas também colocá-los de castigo, impor-lhes as consequências dos seus atos incorretos, e se for necessário, até mesmo lhes dar um tapa na bunda.