25 de outubro de 2011

Inclusão do Pai no cenário Materno – Infantil

É interessante notar que na maioria dos artigos sobre criança ou gestação, o enfoque se volta mais para a figura materna do que a paterna, porém esta última é também de extrema importância e crucial para o desenvolvimento da criança. Salienta-se aqui que figura paterna ou materna não se refere somente aos pais biológicos, mas sim àquelas pessoas que cuidam da criança e que possuem com a mesma um grande vínculo afetivo.

Nossa cultura patriarcal determina que o homem deva ser autossuficiente, até porque não faz muito tempo, ele era o único provedor do lar, era realmente o chefe da casa, e isso se estendia pela vida a fora. Os papéis vividos por eles eram muito rígidos, a mulher era realmente a "esposa", aquela que servia ao seu marido e voltava-se aos afazeres domésticos.

Estes arquétipos estão tão enraizados em nossas mentes, que mesmo após a liberação sexual da mulher, muita coisa ainda não é fácil de mudar, além do que não podemos nos esquecer de que estamos inseridos numa cultura que nos convida todo tempo a manter esses padrões.

Lembrando que esses pais foram crianças e bebês um dia gerados em nossos ventres, é preciso trazer à luz da consciência o resgate do feminino, através da sensibilidade e da permissão ao toque com o objetivo de inclui-los nesse cenário e permitir sentir-se parte, despertando seu potencial de cuidar e desfrutar da cria.

O contato corporal faz com que a criança comece a ter consciência de seu próprio corpo, localize-se no espaço e no tempo e construa sua própria identidade em acordo com o que sente. Além desta troca de carícias saudáveis proposta entre pais e filhos, possibilitará que no futuro este indivíduo se torne um adulto mais nutritivo pra si e para os demais, além de buscar esse estímulo corporal pela vida.

Existem muitos homens com extrema dificuldade em expressar sentimentos, em afagar os filhos, pois não tiveram esse contato, essa permissão, ou muitas vezes até se permitem acariciar a filha, mas o filho não, pois estes próprios aprenderam que para ser homens você tem que ser autossuficiente e esconder-se numa máscara de "durão", para não revelar ao mundo que dentro de si próprio há uma “criança” vulnerável e carente.

O convite é para que nós mulheres possamos atuar com generosidade e abundancia permitindo que esses pais possam resgatar esta criança interior que tanto precisa de "alimento" através do contato com seus filhos, brincando, rolando, brincando de boneca, de bola, contando estória, trocando fralda, dando mamadeira, embalando, cantando e acariciando. No começo pode parecer um pouco difícil ao pai se soltar, mas com o tempo este vai se acostumando e vai até gostar muito, pois dando atenção e carinho para os seus filhos ele poderá resgatar muitas coisas que não teve na infância, como também seus filhos no futuro terão maior permissão para serem ótimos pais.

E se um dia, estes mesmos pais e mães virem seus filhos homens brincando com bonecas, não se preocupem além da conta, pois um dia ele provavelmente será um pai afetivo e isto de maneira alguma irá afetá-lo em sua sexualidade, pois assim que passar essa fase ele logo se interessará novamente por brincar com carrinhos, monstrinhos e super-heróis.

Ao saber lidar com o seu "feminino", o homem aprende muito mais a lidar com a sua sexualidade, porque se torna um homem mais inteiro, que sabe realmente que para ser homem não é preciso endurecer.

Gleice Marcondes

Doula, Educadora Perinatal , Terapeuta Corporal, Mãe, Mulher e Amiga

http://maedaterra.blogspot.com/

1 comentários:

Anônimo disse...

padroniza.