30 de setembro de 2011

No Dia das Crianças mulheres fazem campanha divulgando parto respeitoso

O Dia das Crianças está chegando e quem já é pai ou mãe está pensando nos presentes que vão fazer a alegria dos pequenos. Presentear é uma forma de demonstrar nossos sentimentos. A forma de dar as boas vindas ao bebê, ou seja, a escolha sobre o modo como ele ou ela vai nascer, também é uma demonstração de amor e atenção.

A Parto do Princípio, Rede de Mulheres pela Maternidade Ativa, é um grupo de 200 ativistas de todo o Brasil que está lançando a campanha “Semana do Respeito à Criança”. O grupo busca chamar a atenção para as rotinas hospitalares desnecessárias no atendimento ao recém-nascido e à parturiente.

Você mesmo, leitor ou leitora, sabe quais as rotinas hospitalares para um bebê?

Na rotina hospitalar, o bebê é retirado pelo obstetra que logo corta o cordão umbilical, interrompendo bruscamente o fluxo de oxigênio, obrigando o bebê a aspirar e encher o pulmão de ar assim que nasce.

Imediatamente o obstetra passa o bebê para uma enfermeira, que dá uma limpadinha na criança enquanto a estende ao pediatra, para um primeiro diagnóstico. O pediatra coloca uma sonda de plástico nas narinas e na boca do neném, para retirar os líquidos que estão no estômago e nas vias nasais e oral (esse procedimento só é indicado nos poucos casos em que o recém nascido tem dificuldades de respiração e precisa de ventilação).

Na seqüência, o bebê recebe nos olhos um colírio de nitrato de prata, que é necessário para preservar a visão caso a criança entre em contato com a bactéria causadora da gonorréia durante a passagem no canal vaginal. Ou seja, é um procedimento desagradável feito em todas as crianças, apesar de desnecessário quando a mãe não é portadora de gonorréia e não teve parto vaginal.

Tem ainda a vitamina K, importante pra prevenir hemorragias no bebê. Geralmente, ela é aplicada através de uma injeção na coxa, mas poderia ser dada via oral. Quando tomada via oral, a família deve ficar atenta para repetir a dose mais duas vezes, em casa.

Enfim, só depois de injeção, colírio e sonda, o bebê é levado para os braços da mãe. E esse encontro, geralmente é apressado. Ainda é rotina de muitos hospitais levar o bebê para o berçário, apesar de muitos estudos comprovarem que o melhor para a saúde física e psicológica da família é que o bebê mame e fique no seio da mãe (ou nos braços do pai) durante a primeira hora após o nascimento.

Nos casos de cesárea, é ainda mais comum separar o bebê da família, tendo em vista a dificuldade da mulher cuidar do bebê após a cirurgia – no entanto, desde 2005 há uma lei que garante o direito da parturiente ter um acompanhante, que poderia, nesse momento, ficar cuidando do bebê até a recuperação da mulher.

Parto respeitoso

Sonda no nariz, injeção na coxa, colírio, esticar para medir, colocar na balança para pesar, enfermeira dando banho. Nem todos os nascimentos precisam ser assim, com procedimentos desconfortáveis para a criança e pouca participação da família.

Muitas mulheres estão buscando alternativas, que vão desde o parto domiciliar até a contratação de doulas para acompanhar a evolução do trabalho de parto e o pós-parto. Qualquer que seja a escolha, o importante é a família buscar informações e escrever um “plano de parto”.

O Plano de parto é um simples papel no qual a mulher descreve como sonha que será seu parto. No plano pode constar que o pai vai cortar o cordão umbilical de seu filho quando parar de pulsar; a mãe pode decidir não autorizar o obstetra a fazer a episiotomia (corte no músculo entre a vagina e o ânus); pode reivindicar que, caso o bebê nasça saudável, ficará no quarto com a mãe e não no berçário, a família pode escolher ainda quem vai ficar no quarto com o bebê enquanto a mãe descansa após o parto. Essa e outras decisões podem constar no Plano de Parto.

Estas escolhas com certeza fazem a diferença no processo de nascimento de uma criança, e têm tudo a ver com dar as boas vindas ao bebê. É um presente que a criança nunca vai esquecer.

Para saber mais, acesse www.partodoprincipio.com.br.

1 comentários:

stella disse...

Com o plano em mãos, a gestante tem condições de dialogar com sua obstetra, com o pai do bebê, sua família e com a equipe do hospital, deixando claro quais procedimentos ela aceita e quais ela não quer que sejam feitos em seu corpo e no corpo do bebê.