16 de agosto de 2011

Conferência de Políticas para Mulheres: essa é nossa hora!


As mulheres tiveram muitos avanços nas últimas duas décadas, conquistaram direitos civis e políticas públicas. Fizeram história, através de movimentos e manifestações. Com audácia e participação popular, mudaram muito da cultura machista que é elemento fundante da sociedade brasileira.
Mas, a desigualdade de gênero ainda é muito grande. Para ter certeza disso, basta avaliar como se dá processo de gestar, parir e nascer no Brasil.
Este tema ainda é invisibilizado e - pior ainda - quando entra em debate, de forma geral, o parto é encarado como um castigo naturalmente imposto às mulheres.
Um novo modelo de assistência obstétrica se faz urgente. Como tudo o que as mulheres tiveram de avanços ao longo da História, esta será mais uma luta e conquista que resulta da mobilização, exigência e empoderamento das mulheres.



Foto da Conferência Municipal de Políticas Públicas para Mulheres em Vitória-ES, na qual a Cristiane Kondo esteve falando em nome da PP. Faça o mesmo na sua cidade!


Por isso, a Parto do Princípio está pedindo que suas militantes estejam presentes nas Conferências Municipais e Estaduais de Políticas para Mulheres.
Um exemplo de ppzete que está levando a nossa bandeira para as Conferências de Políticas para Mulheres é a Cristiane Kondo, mais conhecida na Parto do Princípio como Kiki. Ela é doula em Vitória, Espírito Santo, participou da Conferência de Políticas para Mulheres na sua cidade, e agora está buscando participar de outras conferências em seu Estado. Dá uma olhada no que ela tem a contar:

Kiki, qual sua avaliação sobre as Conferências de Políticas Públicas para Mulheres? Para quê elas servem e por que você decidiu participar desse espaço, em nome da Parto do Princípio?
As Conferências de Políticas para Mulheres é um espaço para discussão e elaboração de políticas para mulheres junto com a sociedade civil que acontece a cada 3 anos. A participação é fundamental para mostrarmos nossas demandas, nossas questões, nossas necessidades.
Infelizmente, não há discussão sobre gestação e parto nesses espaços. As condutas tornaram-se inquestionáveis, as violências na assistência à gestação e ao parto foram naturalizadas.
A Parto do Princípio, como uma rede de mulheres usuárias dos serviços de saúde que apóia a maternidade ativa, está participando dessa Conferência para levantar essa discussão com base nas demandas das usuárias e com base nas evidências científicas, experiências bem-sucedidas, e direitos garantidos por lei.

Pelas duas conferências que você acompanhou nas duas últimas semanas, pelo debates que você está conduzindo com outras companheiras de movimentos sociais, as mulheres estão ocupando este espaço para reivindicar, debater os seus direitos?

É impressionante como tantas mulheres se reconhecem em nossos questionamentos e em nossas propostas. Mulheres de todos os tipos, mulheres com filhos, mulheres sem filhos, lésbicas, avós, grávidas, adolescentes, todas sentem-se afetadas pela necessidade de reivindicar mudanças na assistência à gestação, ao parto, ao apoio à maternidade.

Você acredita que em eventos como as Conferências Municipais, há espaço para as mulheres debater este assunto, derrubar mitos e avançar na conquista de um sistema obstétrico respeitoso?

O espaço da conferência é um espaço aberto a reivindicações, diferente do momento em que a gestante está sozinha frente ao poder médico.
As Conferências Municipais, por ser uma conferência aberta à comunidade local, é uma oportunidade de pautar nossas demandas desde as mais específicas até as mais gerais, discutir coletivamente sobre questões locais, elaborar propostas para melhoria e exigir providências das secretarias de saúde, da maternidade da região, das unidades de saúde, entre tantas outras possibilidades.
Juntas temos mais força para reivindicar o que nos é de direito: Respeito.

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