20 de novembro de 2010

Saúde das Gestantes.

Aos poucos, o Brasil vai desenvolvendo programas capazes de garantir uma assistência melhor às gestantes. O Ministério da Saúde, por exemplo, já vem travando há algum tempo uma cruzada contra a mortalidade materna, aquela que acomete a mulher durante a gestação ou até 42 dias após o parto. A medida do Ministério é louvável porque 92% dos casos poderiam ser evitados se houvesse acompanhamento médico-hospitalar adequado. Até mesmo por isso, a mortalidade materna é considerada uma grave violação dos direitos humanos e não poderia ser diferente já que esse tipo de problema não pode continuar ceifando vidas em pleno século 21 e diante de tanta tecnologia, principalmente na área da saúde. O quadro se agrava porque as mortes são motivadas, na quase totalidade das vezes, por hipertensão arterial, hemorragias, infecção pós-parto e aborto, problemas que são facilmente evitáveis com a prevenção e acompanhamento pré-natal. O principal agravante na identificação desses casos é que a notificação de morte materna ainda não faz parte das estatísticas dos hospitais brasileiros, que sempre encontram uma forma de mascarar a ocorrência encontrando outro motivo para o óbito nessa situação.
Números do Ministério da Saúde revelam, no entanto, que nas capitais de cada 100 mil partos, 75 mulheres são vítimas de óbitos maternos. Essa realidade contrasta com a de países desenvolvidos onde o número de mulheres que morrem em cada 100 mil partos não chega a 10. A iniciativa do Ministério da Saúde merece destaque porque os óbitos maternos geralmente estão relacionados à falta de acesso aos serviços de saúde, principalmente nas áreas rurais, a condições sociais e econômicas desfavoráveis, à baixa escolaridade, baixa renda familiar e ao desemprego. Com mais de 8 milhões de mulheres vivendo abaixo da linha da pobreza, a grande maioria não tem como se alimentar melhor nem mesmo na gestação, o que acaba empurrando um número muito grande de jovens mães para a mortalidade materna. Muitas não conseguem passar pelo parto e outras morrem de complicações pós-parto. É um quadro triste.
O Ministério da Saúde não admite, mas o despreparo de parte dos profissionais de saúde, aliado a falta de humanização e serviços com condições precárias também contribuem para essa grave ocorrência. Outro fator é que apesar do governo fazer publicidade do acompanhamento pré-natal, dizendo que o programa é estendido à todas as gestantes, o serviço está cada vez mais deficiente nos grandes centros e na grande maioria dos pequenos municípios as prefeituras não contam nem com obstetra e ginecologista na rede pública de saúde. Além disso, entre as causas de mortalidade materna estão o número insuficiente de serviços para o atendimento da mulher vítima de violência na gestação e o crescimento de casos de abortos clandestinos. A meta do Ministério da Saúde é reduzir em 25% o índice de mortalidade materna nas capitais do país num prazo de quatro anos. O primeiro passo para atacar a mortalidade materna é fazer um raio-x do problema e para tornar o caminho menos tortuoso o governo baixou portarias ministeriais que tornam obrigatória a notificação de óbitos de mulheres em idade fértil para investigar a causa da morte.
É preciso reconhecer, porém, que esse problema não se combate apenas com cadastro, mas como ações como a prevenção e redução da mortalidade materna nas ações dos programas de Saúde da Família e Agentes Comunitários de Saúde; apoio aos municípios na organização de sistemas de referência e na aquisição de meios de transportes exclusivos para as gestantes; aumento no número de autorizações para laqueadura e vasectomia para casais que tiveram registro de gravidez de risco; disponibilização de métodos anticoncepcionais reversíveis em todas as unidades do PSF; incentivo a atuação das enfermeiras obstétricas no parto humanizado e, por fim, treinamento para as parteiras tradicionais que atuam nas regiões mais carentes. Fica a torcida para que o Ministério da Saúde adote essas medidas de forma imediata e reduza a mortalidade materna para níveis aceitáveis, se é que existe nível aceitável para a morte.

Fonte: http://www.progresso.com.br/not_view.php?not_id=47662

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