18 de novembro de 2010

Medicina defensiva explica cesarianas.

Portugal é o segundo país da UE onde se fazem mais cesarianas, segundo dados de 2009. Dados que indicam que 33% dos nossos bebés nascem através desta intrevenção, número que ultrapassa largamente a recomendação da Organização Mundial de Saúde. Sabe-se, também, que ocorrem muito mais cesarianas nos hospitais privados do que nos públicos, o que tem levado a concluir que as mães com mais poder económico solicitam uma cesariana para fugir às dores de um parto natural.
Pelos vistos o fenómeno não é nacional. Um estudo publicado no British Medical Journal, e citado pela BBC, deita por terra o mito de que o número de cesarianas cresce (e no Reino Unido duplicou nos últimos dois anos) porque as mulheres ricas são demasiado "betas para fazer força" ( "too posh to push myth" é o título do artigo). Ao investigar 620 mil partos ocorridos em 2008, os investigadores da Sociedade de Obstetrícia e Ginecologia, encontraram realmente disparidades de uns estabelecimentos para os outros, mas defendem que se devem aos critérios médicos que regem essas instituições, e não a qualquer pedido da mãe. Registam, ainda, que a quase totalidade das cesarianas se justificava ou pela apresentação do bebé, ou por problemas médicos decorrentes da saúde da grávida ou do trabalho de parto, e dão conta que os médicos não encaram uma "cirurgia major", como é a cesariana, como uma alternativa simples a um parto natural, por todos os riscos que acarreta.
Mas lá que o número de cesarianas cresceu, cresceu, o que leva os especialistas entrevistados pela BBC, a afirmar que a explicação pode estar do lado dos médicos e dos hospitais que, assustados com a possibilidade de serem processados por algum erro ou acidente, preferem praticar uma medicina defensiva. O que faria sentido para explicar, em Portugal, a incidência no privado: mais dinheiro pode corresponder a maior poder reivindicativo.

Fonte: http://www.destak.pt/opiniao/77031-medicina-defensiva-explica-cesarianas

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