18 de setembro de 2010

Conheça técnica da enfermeira que realizou parto de Gisele Bündchen na água.

Desde pequena, Mayra Calvette, 23, aprendeu que dar à luz e pegar os filhos nos braços logo após o nascimento era uma das coisas mais prazerosas da vida.
Era sua mãe que contava como ela e suas quatro irmãs vieram ao mundo, em partos de cócoras.
No colégio, Mayra ouviu, pela primeira vez, que a mulher sentia dor no parto. "Mas logo descobri que, com preparo e informação, podemos contorná-la", afirma.
Mayra não tem filhos, mas, apesar de ser tão jovem, já ajudou muitas mulheres a terem os seus de forma natural, em casa, na água. Como no parto da amiga famosa, Gisele Bündchen.
A trajetória para chegar à Boston, onde nasceu Benjamin, filho da modelo, começou seis anos atrás. Mayra mudou-se da pequena Gravatal, em Santa Catarina, para Florianópolis, para cursar enfermagem na Universidade Federal de Santa Catarina.
Durante a faculdade,fez estágio na Maternidade Carmela Dutra, uma das maiores de Florianópolis.
"Eu chegava lá e encontrava as mulheres deitadas, sofrendo de dor e totalmente desinformadas. Conversava com elas, explicava o que é a contração, as colocava na água quente, fazia o que dava", conta.
Em 2008, foi efetivada como enfermeira auxiliar. E resolveu batalhar para propiciar às gestantes um parto natural dentro do hospital. Não é o comum. Se depender das maternidades e hospitais, fica difícil escapar de cesáreas desnecessárias e intervenções no parto normal.

PARCERIA
Mayra então propôs uma parceria a obstetras que seguem a linha da medicina humanizada. Ela fica com a gestante em casa, sempre monitorando os batimentos cardíacos fetais e, quando a dilatação já está quase total, avisa o médico e todos se encontram na maternidade.
A parceria inclui três visitas de pré-natal e três no pós-parto, para ajudar a estabelecer a amamentação e os cuidados com o bebê.
Na minha primeira consulta pré-natal, Mayra mais ouviu do que falou. Na segunda, pediu papel e caneta, desenhou os órgãos reprodutivos femininos e explicou o que acontece na hora do parto. Disse que a dor tem sua função e me ajudou a entender como lidar com a força.
No final da consulta, quando eu já não imaginava mais minha vida sem ela, veio a notícia: "Eu só estarei no seu parto se for até dia 14. A partir daí, estarei fora do país, para acompanhar o parto de uma amiga".
Sorte que minha filha nasceu no dia 13 e que pude ter a ajuda de Mayra.
Três semanas depois, já em Boston, ela ajudava Gisele a respirar, relaxar e imaginar que, a cada contração, o bebê estava mais perto dela.
"Pouco antes de Benjamin nascer, Gisele, em profundo estado de meditação, começou naturalmente a cantar o mantra "om" e todos entoaram juntos. Foi maravilhoso! Ele nasceu na água e Gisele o trouxe direto para seus braços", conta ela.

ESTADO ALTERADO
Mesmo eu, que não tinha uma amizade prévia, me senti totalmente segura com ela.
Pouco depois de começar efetivamente meu trabalho de parto, Mayra chegou em casa, ofereceu as mãos para me ajudar a levantar e disse "vamos nos movimentar". Eu era uma mulher já exausta depois de quase dois dias de contrações irregulares muito doloridas.
A entrega foi total e consegui chegar na partolândia, que é como chamam o estado alterado de consciência que acomete as parturientes.
Senti até uma onda de prazer, provocada pela ação dos hormônios e pela entrega de meu corpo a eles. "Eu entrei na partolândia junto contigo!", ela me contou depois.
Minha filha nasceu na água. Foi Mayra quem a segurou pela primeira vez e colocou-a no meu colo, em estado de êxtase como eu.
"O parto pode ser a experiência mais maravilhosa ou a mais terrível. Depende do quanto a mulher está preparada física e emocionalmente e do apoio que terá na hora", afirma Mayra. Concordo.
 
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