23 de agosto de 2010

Amamentar é mais que importante, é fundamental.

Amamentar o bebê na primeira meia-hora de vida. Uma atitude simples, mas muitas vezes deixada de lado, pode fazer toda a diferença ao longo da vida da criança. Essa foi uma das ideias difundidas pela educadora e psicóloga Laura Uplinger, que corre países discutindo a gestação e esteve na cidade durante a Semana Mundial de Aleitamento Materno, promovida pela Amac e encerrada ontem. Laura, licenciada pela Universidade de Sorbonne, na França, mostrou que amamentar é mais que alimentar o bebê, é um ato de entrega com reflexos sobre a formação do cidadão. Ela dá o exemplo de um adolescente de 15 anos que cobra a atenção da mãe. O que essa atitude pode ter a ver com o aleitamento nos primeiros meses de vida? Muita coisa, acredita. “No fundo, ele pode estar reclamando daquele primeiro ano de vida, quando não teve aquilo que era para ter recebido. Ele está esperando aquela amamentação, aquela entrega da mãe”, defende.

Para a educadora, incentivar práticas como o aleitamento se torna cada vez mais necessário, ao passo que as sociedades não estão devidamente preocupadas com a gestação. Ela aposta no estímulo à alegria da gestante e da mãe que amamenta, o que, pra ela, pode modificar, inclusive, o meio social. “É possível alimentar a criança de alegria também”.

Em meio aos vários estudos que destacam a importância da amamentação para a saúde física e emocional da criança, Laura Uplinger reúne uma série de dicas por meio dos quais é possível reforçar a saúde do bebê com impactos até a vida adulta. Entre elas está a amamentação na primeira meia-hora de vida. Como explica, ao receber o leite nesse período, o recém-nascido terá benefícios em sua flora intestinal. “Não oferecer o seio da mãe ao nascer é roubar a criança, a mãe e a sociedade, que vai ter uma pessoa com menos propensão à saúde do que deveria ter.”

Mães devem sair orientadas do hospital
Para que isto se torne realidade, é destacada a importância de os hospitais aderirem à Iniciativa Hospital Amigo da Criança (IAHC), que define diretrizes incentivadoras do aleitamento. A coordenadora do Banco de Leite da Amac, Márcia Mizrahy, destaca o papel do hospital nessa discussão. Segundo ela, “algumas mães saem mal-informadas da maternidade”. Por isso, defende que políticas de esclarecimento e incentivo ao aleitamento façam parte da rotina dessas unidades. Como ponto crucial, cita a capacitação das equipes que trabalham com as mães, as quais precisam de esclarecimento sobre o aleitamento. “As mães que saem bem orientadas da maternidade têm menos problemas para amamentar. Elas precisam dessa qualidade de atendimento”.

Entre as informações que mais têm utilidade, Márcia destaca a pega correta da mama pelos bebês, os quais devem fazer a sucção pela auréola do seio, e não pelo bico. Com os cuidados necessários, é possível evitar a rachadura do bico do peito e os machucados. Entre os benefícios práticos do aleitamento, a coordenadora cita a proteção da criança contra alergias, infecções, além de prevenir contra obesidade, hipertensão e diabetes. Para as mães, previne câncer de mama e de ovário, bem como hemorragia no pós-parto. Além disso, quando praticado na primeira hora de vida da criança, ajuda o corpo da mãe a voltar ao normal.

Por prazer
A dona de casa Zuleica Corrêa Perobelli, 36 anos, tem quatro filhas. Entre elas, as gêmeas Manuela e Letícia, prestes a completar um mês de vida. Assim como foi com as mais velhas, as recém-nascidas vão contar com o leite materno até largarem por conta própria. “A mãe não dá a vida só na hora do parto. O leite é uma extensão dessa vida”, acredita. Ela sente tanto prazer no ato de amamentar que compara o desmame do bebê com a saída de um filho de casa.

A estudante Camila Barbosa de Castro, 26, é mãe de Henrique, de 6 meses. Desde o nascimento do filho, além de amamentá-lo, garante o leite materno para outras crianças fazendo doações. Como conta, durante toda a gestação, torcia para ter bastante leite para isso. “É muito gratificante saber que, além de alimentar meu filho, estou ajudando outras crianças”. De acordo com ela, ser doadora não dá trabalho algum. “Poder amamentar é um gesto muito bom pela aproximação entre criança e mãe. Permitir isso aos outros é melhor ainda”, afirma.

Mulheres interessadas em fazer doação de leite podem entrar em contato com o Banco de leite pelo telefone 3690-7436.

Fonte: http://www.tribunademinas.com.br/geral/geral20.php

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