28 de julho de 2010

Doulas humanizam parto.

O papel delas é proporcionar conforto físico e emocional à gestante, facilitando a entrega e abertura para o nascimento do bebê; o seu trabalho começa durante a gravidez


Elas não são parteiras, nem substituem ou interferem no trabalho do médico ginecologista ou obstetra, mas desempenham um papel fundamental durante a gestação e, principalmente, na hora do parto. As doulas são capacitadas para informar, orientar e proporcionar conforto físico e emocional num dos momentos mais bonitos e intensos vivenciados por uma mulher: o nascimento de um filho.

A pedagoga, terapeuta corporal, doula, educadora perinatal e vice-presidente da Associação Nacional de Doulas (ANDO), Lucía Caldeyrio Stajano, afirma que sozinhas e desinformadas, as mulheres ficam inseguras, amedrontadas e tensas, dificultando a dilatação no momento do parto. “A presença da doula resgata o apoio que as mulheres se dão desde tempos imemoriais, antes brindado por familiares ou amigas experientes. É ela quem trabalha hoje para facilitar a confiança, o relaxamento, a entrega e a abertura que propicia o nascimento do bebê”, descreve.


A doula e educadora perinatal, Patrícia Merlin, que mora em Maringá, fez capacitação em São Paulo e atua em Londrina e região. “Parto não é sofrimento. É o melhor presente que se pode ter”, define. O trabalho da doula começa durante a gestação. Segundo Patrícia, a profissional tem que entender um pouco de ginecologia para orientar a mulher sobre a evolução do parto. Ela também ajuda a futura mamãe a encontrar um bom médico, trabalha para tirar ansiedade e medo. “Hoje, a maioria dos médicos incentiva a cesárea”, lamenta. Apesar disso, quase todos são receptivos em relação à figura da doula.

Na hora do parto, Patrícia afirma que seu papel é tranqüilizar, pegar na mão, respirar junto, conversar, propor um banho, fazer massagem, trocar de posição, ou seja, é dar o máximo de conforto físico e emocional à gestante. “Não realizo nenhum procedimento médico”, esclarece. Após o nascimento, ela passa algum tempo com o casal e acompanha a primeira mamada.

Segundo Lucía Stajano, a capacitação de doulas voluntárias é considerada política estratégica do Ministério da Saúde. Entre as evidências científicas que comprovam os benefícios do trabalho delas está a evolução do parto com maior tranquilidade, rapidez, menos dores e complicações tanto maternas como fetais.

“O nascimento torna-se uma experiência gratificante, fortalecedora e favorecedora da vinculação mãe-bebê”, avalia. Ela diz que as vantagens para o sistema de saúde vão desde um serviço de maior qualidade, até uma significativa redução nos custos, dada a diminuição de intervenções médicas e tempo de internação de mães e bebês.


Serviço: Patrícia Merlin, doula - (44) 3028-0415 / (44) 9927-7298

“O bebê nasceu nas mãos da doula”, diz Edilaine Crepaldi A professora Edilaine Renata Crepaldi, de 34 anos, conta que passou por vários médicos que não aceitavam realizar o parto normal da segunda filha, já que a primeira havia nascido de uma cesariana. Depois de muita pesquisa ela conheceu o trabalho da doula e decidiu contratar os serviços de Patrícia Merlin.

“O trabalho dela foi muito além da indicação de um profissional. Ela me deu muitas leituras durante a gravidez, me apresentou o parto humanizado, aprendi muitas coisas”, afirma. Edilaine diz que seu trabalho de parto durou quase quatro dias. As contrações começaram na sexta-feira a noite e o bebê só foi nascer na madrugada de terça. A doula ficou ao seu lado o tempo todo. “O bebê nasceu nas mãos dela, 10 minutos após eu dar entrada no hospital. O médico não chegou a tempo”, conta.

Grávida de oito meses, a bibliotecária Luciana dos Santos Silva Souto, 26 anos, contratou uma doula para auxiliar no trabalho de parto do segundo filho. A primeira, de um ano e cinco meses, nasceu de cesariana. “Tive depressão pós-parto porque queria o método natural, mas por motivos alegados pelo médico, tive que fazer cesárea”, conta.

É raro médico lidar com lado emocional da mãe”, diz Galletto

Para o médico ginecologista e obstetra, Alessandro Galletto, o acompanhante é fundamental para a evolução do trabalho de parto. Ele já realizou partos naturais na companhia de doulas e diz que a atuação delas cria um ambiente mais humanizado. “A equipe hospitalar está muito mais focada nas questões técnicas e é raro o médico lidar com o lado emocional da paciente”, aponta.

Apesar de existir a lei do acompanhante, muitas doulas ainda encontram certa dificuldade para entrar em salas de parto de maternidades públicas e privadas no Brasil. Galletto diz que, em Londrina, a principal dificuldade na liberação do acompanhante é quando o parto deixa de ter uma evolução normal e precisa ser realizado dentro do centro cirúrgico.

Segundo o médico, 80% das gestantes que o procuram querem fazer cesariana. “Busco esclarecer a mulher sobre o que é cada parto e dou liberdade para que elas escolham”, afirma. Ele diz que o parto natural é, sem dúvida, fisiologicamente melhor e menos agressivo. “O alto índice de indicação de cesáreas está relacionado a questões técnicas, de remuneração e tempo necessário de disponibilidade do profissional para assistência ao parto”, justifica.

Serviço: Alessandro Galletto, ginecologista e obstetra – 3334-0103

Curso vai preparar doulas em Londrina

Entre os dias 9 e 12 de outubro a ANDO realizará em Londrina o XXXI Curso de Capacitação de Doulas. Segundo a professora do departamento de Psicologia da Universidade Estadual de Londrina (UEL), psicóloga e membro do grupo de parto alternativo da Universidade de Campinas (Unicamp), Sílvia Nogueira Cordeiro, qualquer pessoa acima de 18 anos pode participar.

Para ela, a capacitação propicia conhecer a vivência do nascimento e seu significado para a mãe. O curso, com duração de 32 horas, também ensina manobras manuais apropriadas para auxiliar no trabalho de parto. Sílvia ressalta a importância das doulas no apoio afetivo aos pais e acolhimento do recém-nascido.

Serviço: Informações sobre o curso com Gesielene 3341-9385 / 9628-8155 ou Silvia (19) 9390-8653

Gestantes trocam experiências
Uma vez por mês um grupo de gestantes de Londrina se reúne no Centro de Terapias Integradas para discutir temas que envolvem a maternidade. Segundo a técnica em radiologia e uma das coordenadoras do GestaLondrina, Marília Mercer, o grupo é um trabalho de experiências. “Não é um curso para gestantes”, esclarece.

A coordenadora explica que, com auxílio de profissionais da saúde e depoimentos pessoais de outras mães, as participantes recebem informações e orientações sobre parto e amamentação. Marília diz que o grupo incentiva o parto humanizado e o acompanhamento de doulas. “Infelizmente, muitas mulheres acabam sendo maltratadas em hospitais. Nossa intenção é evitar que isto aconteça”, conta.

Serviço: GestaLondrina – Centro de Terapias Integradas, Rua Bernardo Sayão, 143. Contato: Marília Mercer 3341-5665 / 9995-4469 http://www.gestalondrina.blogspot.com/

Fonte: http://portal.rpc.com.br/jl/online/conteudo.phtml?tl=1&id=1028754&tit=Doulas-humanizam-parto

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