5 de julho de 2010

ABCD - São Paulo - Região tem cesarianas acima da média.

OMS indica percentual máximo de 15%; São Caetano lidera com 74% dos nascimentos por cesarianas.

O parto normal é mais seguro para a mãe e para o bebê. Mesmo assim, 64% dos partos realizados no ABCD em 2008 foram cesarianas, de acordo com pesquisa mais recente da Fundação Seade (Sistema Estadual de Análise de Dados). A cidade que lidera o ranking é São Caetano, com 74% de cesarianas, seguida de Ribeirão Pires (70%), Mauá (65,3%), Santo André (65%), São Bernardo (60,2%), Rio Grande da Serra (60%) e Diadema (53%). No Estado de São Paulo, a taxa foi de 57%.
No País, dados de 2009 do Ministério da Saúde apontam que as cesarianas correspondem a 35% dos partos na rede pública. De acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), a taxa ideal deve ficar em torno de 7% a 10%, não ultrapassando 15%. Na Holanda, essa proporção é de 14%, nos Estados Unidos 26%, no México 34% e no Chile 40%.

Foi tentando mudar essa realidade que a educadora perinatal Deborah Delage criou o grupo MaternaMente, que se reúne todos os meses na Região para discutir e incentivar o princípio do parto ativo. “O objetivo principal é disseminar informações de qualidade e de modo acessível, para que as mulheres e suas famílias possam compreender e viver a gestação e o parto como eventos naturais, que demandam atenção e apoio, e não intervenções desnecessárias.”
A própria Deborah foi vítima de uma sucessão de intervenções desnecessárias que fizeram com que o sonho de ter a filha por meio do parto normal não fosse realizado. Deborah é dentista de formação, mas sua mãe é enfermeira obstetriz e sempre acompanhou de perto esse trabalho. Após a experiência frustrada, Deborah resolveu assumir aquilo que chama de “militância pelo parto ativo”.
Em uma das reuniões do MaternaMente realizada em São Bernardo, a educadora trouxe a experiência da fonoaudióloga Aline Elise Gerbelli Belini, 30 anos, que teve o segundo filho, Pedro, por parto normal feito em casa, para tranquilizar a publicitária Erika Mattes Bittencourt, 28 anos, e seu marido, Rodrigo Bittencourt, que estão a espera do primeiro bebê, a pequena Alicia. “Quero fazer parto normal também, mas em hospital. Visitei um deles em São Bernardo, mas não me senti à vontade. O funcionário que me apresentou o complexo enfatizou demais a infraestrutura, e de menos a questão humana. Chegou a me dizer que o médico decide, a partir do oitavo mês, se a criança nascerá de parto normal ou de cesariana.”
Deborah é crítica quanto ao hábito de médicos que indicam cesáreas sem necessidade. “É uma questão de conveniência para eles. O que acaba acontecendo é que a maioria das vezes a mulher é submetida a uma cirurgia desnecessária e tem de lidar com as consequências da anestesia e do pós-operatório”, afirmou.
O procedimento cirúrgico só é indicado, durante o pré-natal, em casos de placenta previa, herpes genital com lesão ativa na hora do parto, bebê transverso (atravessado no útero) e no caso de mulheres com algum tipo de cardiopatia. Durante o parto, também é possível identificar a tempo, de acordo com Deborah, casos em que se faz necessária a intervenção cirúrgica, tais como prolapso de cordão (quando o cordão umbilical sai antes da cabeça do bebê), descolamento prematuro da placenta, eclâmpsia (perda de proteína que só pode ser revertida ao cessar a gravidez) e ruptura de vaso uterino de grande calibre.
Após passar pela experiência de um parto normal no hospital, Aline resolveu ter o segundo filho em casa. Para evitar comentários desagradáveis de familiares e amigos, não comentou com quase ninguém sobre a decisão. Apesar de ter nascido com o cordão enrolado no pescoço, Pedro não teve problemas em vir ao mundo em seu novo lar. “Se você tem ao lado uma pessoa experiente, que te tranquiliza, tudo é mais bonito. Aproveitei cada segundo do parto e recomendo.”
Incentivo - De acordo com o Ministério da Saúde, estudos demonstram que fetos nascidos entre 36 e 38 semanas, antes do período normal de gestação (40 semanas) têm 120 vezes mais chances de desenvolver problemas respiratórios, que necessitam de internação. Além disso, no parto cesárea há uma separação abrupta e precoce entre mãe e filho, num momento primordial para estabelecimento de vínculo.
Para as mães, as cesáreas significam mais chances de sofrer hemorragia ou infecção no pós-parto e uma recuperação mais difícil. Por essas razões, o Ministério incentiva o parto normal. Apesar disso, ainda há muita resistência do sistema de saúde, que prefere a cesariana por ser mais conveniente, e mesmo das mulheres, que têm medo da dor do parto e preferem se submeter a cirurgias.

Fonte: http://www.abcdmaior.com.br/noticia_exibir.php?noticia=19189

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