12 de junho de 2010

Acompanhantes no parto: como escolher?

O parto é uma das experiências mais marcantes da mulher, seja ela passiva ou ativa na ocasião que ele ocorre, e pode também se transformar num dos melhores momentos de sua vida. Mas do que isso depende? Quais são os fatores que determinam o instante do parto como bom ou ruim?
É bem verdade que existe uma gama infinita de pontos que se perpassam e alguns fogem ao nosso controle, mas a maioria deles é controlável.
Engraçado falar em controle quando se fala de parto! Entretanto, algumas variáveis podem ser dominadas, como estar preparada (não 100%, pois em tudo o que é novo e envolve uma alta carga emocional não há como ter preparo total) emocional e fisicamente e, principalmente, ter um bom acompanhamento no parto. E quem são os acompanhantes de parto? São aqueles que estão lá na hora. Podem ser acompanhantes profissionais ou não — isso não é o mais importante. O importante é que sejam acompanhantes (um ou mais) de SUA escolha.
Acompanhante profissional pode ser uma doula, uma psicóloga, uma fisioterapeuta ou outro profissional de parto. Acompanhante não profissional pode ser a mãe, a sogra, a avó, uma amiga, o marido. Um não exclui o outro. É possível, inclusive, ter vários deles (uma doula, a mãe e o marido, por exemplo).
Mas não convém ter muitas pessoas por perto, pois nossos esfíncteres são tímidos. Há gente que não consegue nem fazer xixi se tem alguém junto, imagine parir (o que você não faz todos os dias, nem várias vezes por dia, ou durante muitos anos)! Já vi partos com muitos acompanhantes darem certo, mas porque foi uma opção da mulher. E porque parto não é matemática!
Um acompanhante profissional de parto pode ajudar o marido a apoiar a mulher, orientando quanto às posições adotadas, aos movimentos realizados pelo casal (como dançar, caminhar apoiada) e aos pontos corporais que podem ser massageados.
É sempre importante respeitar a vontade da mulher no instante do parto. Mesmo que o casal tenha realizado um curso de preparação para o parto, tenha treinado e ensaiado esse momento diversas vezes, praticado as massagens e optado por tais ou quais posições, se a mulher, na hora do trabalho de parto, agir de forma estranha, rejeitando qualquer combinação previamente acertada, deve-se entender que isso é normal e precisa ser respeitado. Nessa oportunidade, a parte do cérebro que precisa entrar em ação é a primitiva. Parto é instinto. O estudo ajuda e acalma, mas o instinto fala mais alto muitas vezes. E, nesses casos, tentar impor qualquer restrição ou comportamentos mecânicos e estereotipados só vai atrapalhar o processo — e não é essa a intenção ao se acompanhar um parto.
O objetivo do acompanhamento de parto é fazer a mulher se sentir segura, amada, amparada e (pasmem!) diminuir o uso das anestesias — que se sabe tão prejudiciais aos bebês no momento do nascimento — e até das cesarianas. Quanto mais relaxada a mulher estiver, menos dor sentirá. E novos estudos já provaram que poder olhar para quem se ama tem importante efeito anestésico.
Então, faça valer seus direitos! Toda mulher, independente da assistência recebida (se em hospital particular ou público), tem como um direito, garantido por lei, poder escolher o acompanhante de sua preferência.
Escolha com seu coração e tenha uma boa hora!

Isane Larrosa Cardoso D'Avila é psicóloga, membro do Association of Prenatal and Perinatal Psychology and Health e da organização internacional La Leche League. É ativista da Parto do Princípio e atua principalmente nos seguintes temas: gestação, parto, pós parto e amamentação. Visite seu blog: http://blogdagestante.zip.net/

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