30 de abril de 2010

Do nascer ao morrer...

Flávia Penido

A tarde.

Lá fora há um vento de mudanças.
Somente a minha tez é capaz de sentir.
Ao meu redor os risinhos das crianças felizes.
Sabor de amora madura.
Rostos sujos de fruta quente.
Bicicletas que vem e que vão.

Um cochilo sossegado no sofá.
O risinho de crianças brincando.
A mãe fazendo barulho na cozinha.
Despertei com um latido.
Despertei com um pressentimento.
Cheiros que vem e que vão...

Anoitecendo.
Lá fora há um vento de mudanças.
Somente a minha tez é capaz de sentir.
A janta foi leve.
Crianças cansadas.
Companheiro onde estás?
Minha viagem começou.
Nossa viagem começou.
Um homem de fazer.
Uma mulher de ser.
Ondas que vem e que vão.

A noite.
Lá fora há um vento de mudanças,
Somente a minha tez é capaz de sentir.
As nuvens revelam uma lua sutil.

Aqui dentro está
Uma mulher que me aguarda
Está em oração a anciã, a mãe.
Está o homem, o companheiro,

Outro navegante.
Ao longe minhas missões em vozes de crianças.
Essas vozes caladas em um sono bom.
Vozes que vem e que vão.

Agora.
Aqui dentro há um vento de mudanças,
Somente a minha tez é capaz de sentir.
Sinto ondas em alto mar.
Uma tempestade esperada, anunciada,
Não há surpresa nem susto.
Meu companheiro e eu naquele mar.
Minha guardiã atenta
Escuta e alscuta

Sinto a intensa beleza daquele momento
Um segundo antes da sua chegada
A água que corre
Pressentimentos
vida e morte
Uma calmaria
Sinto, respiro e espero
Em dois gritos de dor
me revelo em mil sabores
Redescubro esse novo canto
Reencontro de almas
Paz
Coração cantante
Respiro
Respira para ela
Respiro, respiro
Um cheiro agridoce reconhecível
Aquilo que vem de um canto interior
De canto anterior

Lá fora há um vento de mudanças
Somente a minha tez é capaz de sentir.
As nuvens revelam uma lua sutil
Assim um dia eu quero morrer...

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