10 de abril de 2010

Aposentada faz parto da vizinha orientada pelo celular por bombeiro em São José.

Taynara nasceu no sábado com três quilos e 49 centímetros.


Deve receber alta médica nesta segunda-feira a criança que nasceu na casa da família em São José, na Grande Florianópolis, no sábado. O parto foi feito pela aposentada Anita Gonçalves de Brito, 47 anos, vizinha da residência, que foi orientada pelo telefone celular por um soldado do Corpo de Bombeiros.

Taynara nasceu à 0h48min, com três quilos e 49 centímetros, enquando a equipe médica ainda estava a caminho da casa da mãe, Sirlene Fernandes, 32 anos.

No domingo, Anita disse ao Diário Catarinense que ainda não acreditava no que tinha acontecido. Sábado nem dormiu, tamanha felicidade:

— Eu ria sozinha e chorava ao mesmo tempo. Trazer alguém pra vida é a alegria maior do mundo. Mas sei que sem ajuda do soldado não conseguiria — comemorava a servente aposentada.

A mãe e a criança foram internadas no Hospital Regional de São José após o parto.

Como foi ...

Por volta da 0h40min, Anita foi surpreendida por Ismael Machado dos Santos, 26 anos, que pedia apoio à vizinha porque sua mulher estava em trabalho de parto. Antes, ele havia aciononado o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), mas as ambulâncias estavam mobilizadas em outras ocorrências.

A atendente do Samu procurou tranquilizar o casal explicando que o bebê demoraria a sair. Mesmo assim, o pai de primeira viagem decidiu chamar a vizinha.

Quando Anita chegou à casa, a bolsa já havia estourado. Ismael não sabia o que fazer, corria de um lado para o outro. Foi então que a mulher que apoiava o casal voltou para sua casa e ligou para o Corpo de Bombeiros em busca de socorro.

Ela foi atendida pelo soldado Valdemar Vieira Neto, 38 anos — 16 de corporação. Sem perspectivas da chegada imediata da ambulância do Samu e dos Bombeiros, que também atendia outra ocorrência, Anita foi orientada a atuar como parteira.

O soldado Neto passaria as instruções do parto pelo telefone. A aposentada, muito nervosa, pegou o celular, ligou novamente para o bombeiro e correu para a casa do casal.

Sirlei estava sentada na cama — não deu tempo de deitar —, e a cabecinha do bebê já aparecia.
— Segurei a criança e comecei a gritar para o bombeiro que o bebê estava nascendo! — relembra.

O bombeiro pedia, o tempo todo, calma. Ele já tinha feito quatro partos, mas nenhum por telefone. O soldado também participou de um curso no Centro Obstétrico do Hospital Universitário.

— Ninguém faz um parto, ele acontece naturalmente. É preciso só seguir algumas instruções. O bebê vai sendo expelido, não é preciso puxar a criança — observa.

Foi o que a aposentada fez. Um lençol limpo em mãos, um coração acelerado e ela estava pronta. A criança saiu quase sem sangue e foi envolta no lençol.

Anita foi instruída a desobstruir o nariz e a boca do bebê, que precisava chorar. Após o nascimento, pai e vizinha choraram. Apenas a mãe permanecia calma. Há 10 anos Sirlene já passara por isso, o filho do meio também nasceu em casa.

Minutos depois chegou a equipe médica. A aposentada ainda ajudou o médico a cortar o cordão umbilical.
Sirlene e a menina recém-nascida foram levados para a maternidade do Hospital Regional.

Mãe, pai, Anita e o bombeiro posam para a primeira foto com a recém-nascida

Fonte: http://www.clicrbs.com.br/diariocatarinense/jsp/default.jsp?uf=2&local=18&newsID=a2788297.htm

PARA PENSAR: Por que o bombeiro entende mais de parto do que muitos obstetras?

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