21 de março de 2010

Uma escolha que depende de vontade e preparação.

Exercícios e terapias ajudam grávidas que querem ter parto normal

A geógrafa Karolina Alvarenga, de 30 anos, teve três filhos em um período de cinco anos, e todos eles nasceram de parto normal. A decisão, segundo ela, foi tomada antes mesmo da primeira gravidez. Os relatos da mãe dela e a boa recuperação pós-parto da irmã incentivaram a escolha, que hoje se restringe a um número pequeno de mulheres.

De acordo com um levantamento feito pela rede de saúde pública de Uberlândia, dos 8.341 partos realizados na cidade no ano passado, 907 foram naturais, o que corresponde a 10,8%. Na rede privada, este índice é ainda menor. Em um dos maiores hospitais da cidade, de março a dezembro de 2009, foram realizados 669 partos, dos quais 16 não foram cesáreos (2,4%).

O medo de sentir dor - considerada uma das mais intensas - é o principal fator que leva a maioria das gestantes a preferir o parto por cirurgia. Para superar este medo e se informar sobre o método natural, a professora Mara Rúbia Pereira Miranda, grávida de oito meses, participa de um grupo de gestantes dirigido pela psicoterapeuta e educadora Perinatal Maria Augusta Silvestre de Melo. “A partir dele, pude conhecer todos os procedimentos, mesmo que não sejam iguais para todas as mulheres, me preparei melhor”, disse.

A escolha do tipo de parto, de acordo com Maria Augusta Silvestre de Melo, sempre gera dúvidas. A maioria das grávidas, segundo ela, não tem informações sobre o método natural e se baseia em temores, principalmente com relação à dor. “Sempre oriento a paciente a pensar que as contrações são os esforços do bebê para nascer. São os passos dele”, disse.

No grupo, segundo a psicoterapeuta, são trabalhadas questões como: motivo da dor e passo a passo do trabalho de parto. “Se a mulher sabe o que vai acontecer é mais fácil.”

Escolha depende de alguns fatores, alertam médicos

Andréa Canabarro preferiu que o nascimento de Luiz Alberto fosse por cesárea

De acordo com a ginecologista e obstetra Gisele Vissoci, o parto natural é indicado por muitos médicos devido à rápida recuperação materna, mas para isso a mãe deve ter bom desenvolvimento durante toda a gestação. “É importante que ela pratique exercícios físicos e tenha bom relacionamento com o obstetra, porque assim ela fica bem preparada”, disse.

Em alguns casos, segundo a ginecologista e obstetra Leandra Regis, que está grávida, o parto normal pode ser considerado risco à saúde da mãe e do bebê, principalmente quando há desproporção entre a cabeça do bebê e a pelve da mãe ou quando a mãe já passou por duas cesáreas. Portanto a decisão, segundo ela, deve ser tomada de acordo com as condições da gestação.

O possível risco de o bebê nascer com paralisia cerebral devido ao tempo excessivo de espera para o nascimento – o que causa falta de oxigenação no cérebro - é um dos motivos que levam o ginecologista José Pires Ribeiro Júnior a defender a cesárea. “Nem todos os partos normais são tranquilos. Alguns representam mais riscos e precisam ser salvos através da cesárea”, disse o médico, que atuou durante muitos anos como obstetra.

A consultora assistente Andréa Luíza Canabarro, de 25 anos, faz parte do grupo de mulheres que engrossa as estatísticas de cesáreas. Segundo ela, o medo de prejudicar a saúde do filho, Luiz Alberto Canabarro, de 10 meses, pesou na decisão. “Tive medo de tentar [o parto normal] por muito tempo e faltar oxigênio para ele no canal do parto, e ele nascer com problemas irreversíveis.”

Como se preparar

Atividades físicas
Yoga
Pilates
Caminhada
Exercícios aeróbicos

Parte psicológica
Ler sobre os processos do parto
Ter boa relação com o obstetra
Entender o motivo da dor
Participar de grupos de gestantes
Manter a calma e o equilíbrio

Fonte: http://www.correiodeuberlandia.com.br/texto/2010/02/14/43442/uma_escolha_que_depende_de_vontade_.html

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