12 de março de 2010

Materia no Guia do Bebê sobre parto em casa.

Foto: Agência Fotogarrafa

Dar à luz na própria residência pode representar sérios riscos.

Polêmica declaração da top model Gisele Bündchen a respeito do nascimento de Benjamim coloca em discussão a banalização da cesariana versus o parto natural.

O avanço na medicina e em exames complementares registrado nas últimas décadas gerou uma medicalização" intensa em diversas especialidades e, em especial, quando relacionada à gestação. Muitos partos com potencial de serem realizados de forma natural e espontânea acabavam em cesáreas desnecessárias, dando ao país o vergonhoso título de campeão mundial em cesarianas. "A Organização Mundial da Saúde aceita como taxa normal de cesáreas cifras em torno de 20% dos partos - índices presentes na maioria dos países desenvolvidos. Isso significa que a cada 10 pacientes que estejam em trabalho de parto, duas precisam da cesárea para assegurar um recém-nascido saudável", revela a Dra. Flávia Fairbanks, ginecologista especializada em sexualidade humana.

Em resposta às altas taxas de partos operatórios registrados no Brasil, teve início um forte movimento em prol do parto normal. O governo instituiu campanhas a favor do método e grande parte da mídia apoiou a iniciativa.

Já em relação aos obstetras, houve certa apreensão quando a campanha começou a incentivar o uso das "casas de parto", muitas vezes localizadas longe dos hospitais e, principalmente, pelo fato de não haver nesses locais possibilidade de se converter um parto normal em cesárea no caso de uma emergência. "A iniciativa do parto domiciliar vem ganhando força há alguns anos, mas nessa situação a possibilidade de socorro numa emergência é muito pequena. A mãe pode necessitar de cuidados mais amplos, como a analgesia de parto para suportar a dor das contrações, medicamentos para controlar a pressão arterial durante o trabalho de parto, entre outras necessidades. Quanto ao bebê, ele pode precisar de manobras de reanimação neonatal para garantir a boa oxigenação do sistema nervoso ao nascer. Todas essas etapas requerem aparelhagem e pessoal treinado, tanto equipe médica quanto enfermagem, dificilmente encontrados numa situação de parto domiciliar", declara Dra. Flávia.

A ginecologista afirma ser favorável ao parto normal, desde que haja garantia absoluta de conforto para a mãe e a criança, através de um ambiente adequado, com a devida assistência médica, de enfermagem e com o equipamento de suporte para os casos de emergência, como aparelho de anestesia, oxigênio e natologistas experientes em reanimação neonatal. "O momento do parto pode ser decisivo para as demais etapas da vida do ser humano. O tipo de assistência recebida pela gestante e pelo bebê poderá determinar se o resultado final será positivo, com mãe e filho saudáveis e em segurança", finaliza a médica.

Dra. Flávia Fairbanks
Graduada pela Faculdade de Medicina da USP, realizou residência médica em Ginecologia e Obstetrícia no Hospital das Clínicas da FMUSP, foi médica preceptora da Ginecologia do Hospital das Clínicas da FMUSP. É Pós-graduada em Ginecologia do Hospital das Clínicas da FMUSP nos setores de Endometriose e Sexualidade Humana.

Esta página foi publicada em: 23/02/2010.
Link para matéria: http://guiadobebe.uol.com.br/parto/parto_em_casa.htm

PARA PENSAR: Por que geralmente a mídia pede o parecer de profissionais não envolvidos com o tema? Por que uma médica ginecologista especializada em sexualidade humana em uma matéria sobre parto domiciliar? Não estaria melhor habilitado a falar sobre o assunto, um ginecologista obstetra com ampla experiência em parto. E não seria mais produtivo se existisse na matéria a opinião de um médico sabidamente favorável ao parto domiciliar?

2 comentários:

Denise disse...

Arre, eu não aguento essa deturpação de informações que os médicos promovem e a mídia apoia, ou por interesses econômicos ou por incompetência dos seus profissionais.

Infelizmente a seleção do tema, o enfoque privilegiado e a escolha da fonte são apenas algumas das instâncias em que a informação é manipulada de modo a atender aos interesses (políticos, econômicos, corporativos, etc.) de quem comanda a empresa midiática.

E mais triste ainda é saber que boa parte dos jornalistas que estão se formado sequer se dá conta de como são usados e abusados desse modo. Faltam senso crítico, competência, interesse...

Denise disse...

E agora que me dei conta, a matéria é mais esdrúxula que imaginava. O texto coloca as falas da médica entre aspas, como se ela tivesse dado uma entrevista ao site. Mas no fim, é a própria que assina o texto. Que bizarro! Afinal, quem é o autor do "artigo"? Horror...