4 de dezembro de 2009

Por que o parto natural é melhor?


Kalu Brum – Jornalista e mãe desperta

E lá foi lançado,
Depois de uma dança
A semente voou para além dos sonhos
planejados ou não
para germinar no útero.


Que mágico momento de encontro
que fez a vida
Era um minúsculo conglomerado de células e amor
Ilusões, enjôos e expectativas


Foi crescendo e nadava por um grande espaço
Que a cada dia foi ficando menor
Até que ambos não tinham mais para onde crescer
Barriga e bebê


Eis que chega a hora
Pulmões formados e um hormônio dá a largada
Para a dança da vida
O útero abraça o pequeno corpo em despedida
Aquele ser que se fez de carne de dois
e a alma de Um


A cada abraço o coração dispara
A pequena vida desperta se prepara para conquistar
Por ela mesma seu caminho
Sem drogas, sem cortes
Sem artificialismo
Respeitando seu idiossincrático bailar
Rápido como um tango
Ou lento como uma valsa


Na dor, a mãe se supera
e estranhamente sente prazer
por honrar a força vital
Descobre que seus limites são infinitos


O bebê gira dentro do corpo materno
Escorrega por onde entrou
Tendo pela primeira e única vez
A possibilidade de ser abraçado em inteireza
Um abraço que expulsa líquidos
Massageia a cabeça


E aquela mulher que se permitiu dançar
no ritmo da melodia dos seus hormônios
Vive o êxtase de sua feminilidade
Na força de seus instintos ocultos
Ela renasce com aquela vida
E se refaz com o pequeno herói nos braços


Orgulhosa por sua coragem
Cheia de amor por sua cria
Que já mama e é abraçada
Por uma mãe desperta,
Que saiu da matrix e nunca mais vai adormecer.

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