23 de dezembro de 2009

Parto domiciliar representa novo modelo de assistência

Seguindo as recomendações da Organização Mundial de Saúde, o parto domiciliar representa o novo modelo de assistência obstétrica centrado na mulher.

O parto feito em casa pode ter a assistência de uma doula e realizado por uma parteira ou por uma enfermeira obstétrica. “No parto em casa todo o respeito pelo nascimento existe e a mulher é a protagonista do parto que é seu”, explica Kátia Zeny Assumpção Pedroso, 40 anos, atuando há 19 como enfermeira obstetra.

Segundo Kátia, no hospital a mulher tem que seguir regras, não pode escolher a posição que deseja parir. Quando o bebê nasce nem sempre vai direto para o colo da mãe que se sente refém das rotinas hospitalares. “Tem uma mulher que pariu em casa e disse a seguinte frase: Parto em casa é a gente que manda, no hospital a gente obedece”, comenta a enfermeira que há três anos realiza partos em casa.

No parto domiciliar a mãe se sente à vontade sem estranhos a observando. Na hora do parto ela pode ficar na posição que menos doa, como a chamada posição de quatro ou de cócoras que também ajuda na hora da expulsão do bebê. Kátia Zeny conta que o corpo da mulher e o bebê são os responsáveis por esse processo.

O parto é um evento fisiológico e natural assim como respirar ou dormir. “Por isso nascem tantos bebês no carro, na rua, em qualquer lugar. Ele não quer saber quem está perto. Ele sai”, explica. “E é a mulher que deve comandar esse processo, eu só tenho que respeitar as escolhas dela em relação ao que ela quer em um evento que é dela”, assegura a enfermeira.

A enfermeira esclarece que não se corre risco algum no parto domiciliar se todas as medidas de precauções forem tomadas, como o uso de luvas, lavar bem as mãos, usar luvas estéreis para pegar o bebê e material estéril para cortar o cordão umbilical.Kátia Zeny explica que cesárea não é parto e sim uma cirurgia para extração do bebê.

São três vezes maiores as chances de complicação e morte para a mãe do que num parto normal. “Não sou contra a cesariana, acho que ela deve ser feita quando necessário e isso corresponde a menos de 10% dos casos. O triste é o Brasil ser o campeão mundial de cesarianas, a maioria delas feitas sem nenhuma necessidade”, esclarece Kátia.

A cientista social Bianca Cruz Magdalena, 29 anos, teve um parto domiciliar com segurança e sem qualquer complicação. Depois de uma cesárea desnecessária de sua primeira gestação, há sete anos, Bianca desejava um parto domiciliar, visto que sua gestação era de baixo risco. “Me muni de muitas informações, assim meu anseio era por um parto normal sem intervenções hospitalares e de rotina”, explica Bianca.

O parto foi feito com a ajuda da enfermeira obstetra Kátia Zeny. Bianca a conheceu por meio do Blog Bebedubem. “O acompanhamento de Bianca foi um pouco fora do que normalmente eu faço, por causa da distância que nos separa que é mais de 400 km, nossa comunicação foi praticamente toda via internet”, explica Kátia Zeny que reside em São José dos Campos, no Vale do Paraíba e Bianca em Cananéia, no Vale do Ribeira.

O parto - O colo de Bianca já estava todo dilatado. Dez dedos. Nesse momento era só esperar. Ela tomou um banho e depois voltou para o colchão do quarto e se pôs de quatro. “Era como me sentia melhor, deitada era impossível”. Em pouco tempo sentiu outras contrações, os gritos eram muitos. "Vinham de dentro dessa mamífera que como um animal estava para parir naturalmente, sem drogas alopáticas ou algum anestésico”, comenta. O bebê nasceu na madrugada de domingo, em 23 de agosto, às 3h56. Juliano, o pai, pegou o bebê e o deu aos braços de Bianca que tremia.

Para Bianca não se compara o parto domiciliar com o parto em um ambiente hospitalar, que segundo ela, é inóspito, frio e impessoal. “Faria tudo de novo”, comenta. “Penso que vivenciar, sentir essas dores foi um resgate em minha vida, resgate como filha, mãe e mulher”, finaliza Bianca.

Vantagens do parto – Segundo a enfermeira Kátia Zeny, os sensores do bebê para perceber o cheiro são ativados durante o trabalho de parto, portanto o bebê que nasce de parto normal tem melhor olfato. Quando a mãe entra em trabalho de parto as contrações massageiam o pulmão do bebê e isso faz com que ele elimine melhor o líquido amniótico e respire melhor depois que nascer. São menores os riscos de bronquite, asma e outras doenças respiratórias. Também o corpo do bebê é colonizado primeiro por microorganismos do corpo da mãe, enquanto na cesárea o corpo do bebê vai ser primeiro colonizado pelos microorganismos do ambiente hospitalar.

Parto normal hospitalar - Bruna Leite Santana de 27 anos, teve seu bebê de parto normal na Casa de Saúde Santos, no dia cinco de dezembro de 2008. Neste dia, dos 12 partos que ocorreram na maternidade, apenas três foram normais.

O parto natural acontece quando não há intervenções médicas e medicamentos. É um parto onde a mulher tem seu ritmo e bebê respeitado. A mulher precisa desejar este momento, aceitá-lo como um evento natural e necessário para que o seu bebê venha ao mundo. O parto normal é um parto com intervenções médicas como a episiotomia - corte entre a vagina e o ânus – para ampliar o canal de parto. “No começo da gravidez nem fazia idéia das diferentes formas de parir. Com 38 semanas de gestação descobri o que era um parto natural, mas eu não possuía a confiança para tê-lo, pois a primeira gravidez é cheia de medos e todo mundo tem algum palpite para dar, o que deixa qualquer grávida insegura”, explica Bruna Santana.

Nesse momento, o que ajudou Bruna foi a escolha do médico. “O Dr. Gilberto Moreira Melo é um médico em extinção, ele acredita que a mulher é a protagonista do nascimento de seu filho e me deu todo o suporte para o parto que eu estava preparada para ter”.

Como o trabalho de parto de Bruna não pegava ritmo e ela estava nas vésperas de completar 42 semanas, ela e seu médico resolveram induzir por misoprostol, uma espécie de cytotec, mas em quantidade moderada e segura para apenas afinar o colo do útero; e analgesia para diminuir a dor.

Após o parto, Bruna estava adrenalizada. "Podia correr uma maratona”, comenta, porém por ter tomado analgesia só pode levantar da cama 6 horas depois. Caso não haja complicação, o parto normal não tem recuperação como a cesárea. “A gravidez mudou a minha vida completamente, e decidi ficar um ano ou mais, cuidando e educando da milha filha, hoje com 10 meses”, completa Bruna.

Wrap sling - Para contribuir na relação da mãe com seu filho e melhorar seu desenvolvimento surgiu o wrap sling (pano comprido) - carregador de bebês - muito usado na europa. É um pano longo de 3 a 5 metros que é usado enrolado no corpo da mãe e finalizado com um nó. O wrap sling suporta bebês de todos os tamanhos, permite a amamentação e pode ser usado na frente, atrás ou de lado. O bebê é colocado e retirado facilmente. As mãos ficam livres para realizar tarefas do dia a dia, como andar de ônibus, fazer compras, andar de mãos dadas com o parceiro. São diversos os modelos e podem ser usados desde o nascimento até os 18 kg.Bruna Leite Santana conta que a maternidade lhe trouxe de presente o wrap sling. Ela estudou sobre o uso de slings/carregadores de bebês ou babywearing e aprendeu a fazer o seu.

Fonte: Unisanta

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