13 de novembro de 2009

Para alguém muito especial.


Pintura Guilherme de Faria
Tenho um admirador mirim. Ele tem apenas 5 anos e hoje me ofereceu flores. Precisamente um infinito de flores e 1, que é mais do que o infinito, em suas primeiras noções de matemática.
Existe algo mais bonito do que um filho amando sua mãe? O mundo é belo, porque eu existo para esta criaturinha.
A responsabilidade é proporcional ao tamanho deste amor, ou seja, no meu caso, o infinito e 1.
A maternidade é um acontecimento que não se explica, se vivencia. Existem mães de todos os tipos e cores. Mães que não queriam ser, mães que querem ser, mas não sabem como ser, mães que abrem mão de tudo só para serem mães, mães que não querem abrir mão de nada.
No fundo, somos todas exageradamente erradas, como definiu Freud. Mas amadas. Pelo menos até a pré-adolescência e o primeiro grito de liberdade: “Eu te odeio!” Sinceramente, espero não ouvir isto com muita intensidade e nem com muita freqüência. Ah, doce ilusão.
Minha gravidez foi daquelas bem programadas. Esperamos pouco tempo e logo ele veio. O parto seria um parto, não uma cirurgia eletiva. No entanto, este capítulo foi retirado do meu controle, e, como tantas mulheres (brasileiras ou não), desavisadas e crentes em uma medicina que deveria respeitar as suas escolhas, acabei em um centro cirúrgico, sem saber que aquele ato era completamente desnecessário.
Depois foi a retirada do bebê dos meus braços. Nada de amamentação na primeira hora de vida, nada do pai acompanhando o nascimento do filho. Todo um sonho por terra.
E algumas pessoas acreditam que poderia ter sido diferente, se o meu empoderamento fosse maior. Faltou conhecimento e forças. Mas como culpar uma gestante fragilizada no momento em que deveria estar sendo mais amparada pelos profissionais de saúde?
Outras acham tudo uma bobagem, afinal, o que vale é ter o filho com saúde, não é mesmo?
Muitos nunca irão compreender este dilema, mas há um grito silencioso em inúmeras mulheres pelo mundo, que tiveram seus direitos violados na hora em que deveria lhes ser a mais sagrada. Um infinito e 1 de mulheres.
A amamentação foi a minha revanche. A vitória veio com o aleitamento materno até os dois anos e um mês. Nós precisávamos desse aconchego. Eu estava de novo no comando das escolhas e, desde então, tudo vem correndo bem. Conflitos, dúvidas, angústias, amor.
A dor do parto contido vai ficando velada, distante, diante de cada conquista deste menino, cada aprendizado que ele me traz. Juntos, vamos reinventando o mundo, descobrindo que a roda gira, que a vela é mágica, que uma caixa de papelão pode virar um touro, ou um barco, ou um ninho. Ainda dói. Vai doer sempre. Mas a vida continua.

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