7 de novembro de 2009

Parto cesárea: os riscos de uma cirurgia agendada sem necessidade.

Enquanto as estatísticas mostram que a cesárea apresenta índices muito acima do recomendado pela OMS, estudo revela os riscos que um parto cirúrgico agendado pode trazer para o bebê.


Ana Paula Pontes


Se numa roda de conversa com outras mães, você perguntar quem teve parto normal, vai perceber que as estatísticas sobre o parto cesárea no mundo são mesmo alarmantes.


Dados recentes divulgados pelo The NHS INformation Centre, na Inglaterra, trouxeram preocupação aos médicos britânicos ao mostrar que 25% dos partos no Reino Unido, entre 2008 e 2009, foram cirúrgicos. Nos Estados Unidos, em 2005, esse índice já era de 30,2%.


No Brasil, os números são ainda mais assustadores. Somente no SUS, 33,25% dos partos realizados em 2008 foram cirúrgicos, de acordo com o Ministério da Saúde, o que representa cerca de 655 mil cesáreas. Todos esses dados contrariam a recomendação da Organização Mundial de Saúde, que determina que esse tipo de parto represente somente entre 10% e 15%.


O grande problema da cesárea é quando ela é eletiva (ou seja, agendada sem a mulher estar em trabalho de parto). Se houver um erro no cálculo da idade gestacional, o que é comum, o bebê pode nascer prematuro. Sem necessidade, a criança pode deixar de ganhar peso, amadurecer os pulmões, o que acontece nas últimas semanas de gravidez, e pode ter de ficar internada na UTI neonatal. Na análise britânica, das cerca de 155 mil cesarianas, uma em cada dez foi eletiva.


No tempo certo.


Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade do Alabama, nos Estados Unidos, avaliou 13.258 cesáreas eletivas. Destas, 35,8% aconteceram antes de 39 semanas, e o resultado mostrou que os bebês nascidos com 37 e 38 semanas apresentaram mais risco de complicações, entre elas problemas respiratórios e hipoglicemia. “Muitas cirurgias são feitas sem necessidade, apenas por comodismo, tanto dos pais da criança, que querem se organizar melhor, quanto dos médicos, que não precisam desmarcar consultas para realizar um parto a qualquer momento”, diz Alexandre Pupo Nogueira, ginecologista do Hospital Sírio-Libanês (SP).
A situação é diferente, no entanto, quando a mãe entra em trabalho de parto e, no meio do caminho, é preciso realizar uma cesárea. O risco de a criança ter problemas pulmonares é menor porque, durante o processo, o bebê sofre uma compressão no útero da mãe e, segundo Pupo, há uma série de transformações que acontecem na criança de maneira que ela fica mais preparada para sobreviver fora do útero. “Não se deve interferir num processo natural, a não ser em casos específicos em que há risco de vida para a mãe e o bebê”, enfatiza o ginecologista.


A data provável dos partos é em torno de 40 semanas de gestação. E, se mãe e filho estiverem bem, esse prazo pode se estender até 41 semanas e 6 dias.


Os benefícios do parto normal.


Para o bebê: esse tipo de nascimento é bom porque segue o processo natural. Ela nasce na hora certa, a não ser nos casos de prematuros. Existem várias evidências e especulações de que o trabalho de parto não é meramente uma atitude física de expulsão do bebê, e sim uma alteração de padrão hormonal em que há liberação de hormônios pela mãe e bebê que sinalizam que o momento de nascer está chegando. Outro beneficio é que o tórax do bebê é comprimido ao passar pelo canal de parto, o que faz com que ele expulse secreções das vias respiratórias, tornando-o mais adaptado a respirar.


Para a mãe: além do aspecto psicológico, da satisfação da mulher em poder dar à luz, a recuperação é mais rápida e são menores as chances de complicações após o procedimento, como sangramentos ou infecções, por exemplo.


Quando o parto cesárea é realmente necessário?


- Quando a placenta cobre parcial ou totalmente o colo do útero, impedindo a saída do bebê, a chamada placenta prévia;
- Caso a mãe tenha herpes genital com lesão ativa até um mês antes do parto;
- Em casos raros de doenças cardíacas;
- Se o bebê está atravessado, mas antes é possível tentar ajudá-lo a ficar na posição correta;
- Nos casos em que a gestante tenha aids com carga viral muito alta ou desconhecida;
- Quando há descolamento prematuro de placenta;
- Se a abertura do colo da mãe é pequena para o bebê, algo que ocorre em menos de 5% dos partos;
- Nas situações em que o cordão umbilical penetra no canal de parto antes do bebê;
- Se há diminuição drástica no fluxo de oxigênio ou nos batimentos cardíacos, o que ocorre em apenas 1% dos partos.


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