16 de dezembro de 2009

AO NATURAL

Bebês que nascem em casa.

Números de nascimentos em domicílio em SC chama a atenção em pesquisa do IBGE. Em muitos casos, é por escolha dos pais.


Dos 83.759 bebês que nasceram no ano passado em Santa Catarina, 142 vieram ao mundo em casa. A informação pode ser pinçada de uma extensa pesquisa divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Dessas 142 crianças, 21 nasceram em Florianópolis, onde maternidades estão ao alcance de todos. Nara Rosa é uma dessas crianças. Na tranquilidade de sua casa, no Canto da Lagoa, seus pais, Gabriel e Renata Siqueira, receberam a primeira filha.

Quando souberam da gravidez, eles já pensavam na possibilidade do parto domiciliar. Mesmo assim, conferiram todas as opções, entre elas, as mais convencionais, em hospitais e clínicas. Por meio de amigos que já haviam tido filhos em casa, tiveram contato com um grupo que faz o serviço e decidiram que era o melhor jeito para eles.

Também ficaram surpresos com as pessoas que encontraram nas reuniões durante os meses de gravidez. Esperavam gente de estilos de vida mais alternativos, mas encontraram vários públicos, de várias idades. Para Renata, o processo domiciliar colabora para que a mulher deixe a natureza trabalhar normalmente:

– O parto é um ritual de passagem para a mulher, que deixa de ser filha para ser mãe, e o parto em casa respeita a sacralidade disso.

A equipe de enfermeiras havia visitado o casal antes e já conhecia a casa. Quando chegou para o parto, já sabia como seria, da banheira de água quente ao café para a mãe.

Gabriel ressalta que, quando começaram as contrações, ao invés da espera convencional num hospital, Renata passeava no quintal.

– Quando há a possibilidade, se a gravidez não for de risco, eu recomendo a todo mundo fazer assim – diz Renata.

Uma das amigas para quem ela recomendou foi a vizinha Isadora de Lima Borges, que esperava a terceira filha, após dois nascimentos em hospitais. O segundo, Bento, havia sido com cesariana, apesar de Isadora preferir o parto natural. Quando Ana nasceu, há um ano e um mês, o parto foi em casa. A mãe destaca a sincronia do grupo de enfermeiras, que trabalhava com pouca luz e falando baixo entre si. Assim, explica, conseguia concentrar-se mais.

– Não sei se é porque a mãe estava mais calma, mas a Ana também era mais calma, desde o começo – lembra.

Isadora conta que o médico tinha todo o equipamento para eventuais urgência e, em caso de imprevistos, poderia atender mãe e bebê na própria casa. O parto durou 16 horas.

SC está entre os estados que mais registram nascimentos

 Os dois casais ajudaram a aumentar uma estatística positiva do Estado: o número de registros de nascimento. Santa Catarina está entre os estados que mais registram suas crianças, ao lado de São Paulo e Paraná.

Os dados, divulgados ontem pelo IBGE, revelam que os registros de nascimentos no Brasil voltaram a crescer em 2008, ficando abaixo de 10% o percentual de crianças com menos de um ano sem certidão de nascimento.

De acordo com o instituto, o aumento no número de crianças com certidão de nascimento é resultado de vários fatores, como a implementação da Lei da Gratuidade do Registro Civil, em 1998, campanhas e a exigência do registro de nascimento para obtenção de benefícios sociais. Os pais que só registraram os filhos a partir do ano seguinte ao de nascimento, os chamados extemporâneos, estão no Amazonas, Pará e Maranhão. Em números absolutos, o país reduziu os registros atrasados de 1.486.147, em 1998, para 295.632, no ano passado.

Colaboraram Fábio Bianchini, Francine Cadore e Emerson Gonçalves

Fonte: Clicrbs.

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